O dia em que eu comprei a minha BMW X6 – Ilha de Java

O dia em que eu comprei a minha BMW X6

A minha vida inteira de infância falida invejando as meninas que iam de short curtinho pra escola tendo aquelas namoradinhos bonitos, loiros , do jeito que eu gosto sem eu poder expressar nenhum tipo de afeto por eles sobre pena de poder apanhar até morrer. A minha família nunca ligou pra minha vida sexual falida, para eles eu era tipo um cavalo de carga: só precisava comer, ter um teto, dormir e trabalhar, nada mais.

No meu trabalho, nunca fui destaque em nada, me lembro que fui procurar o meu primeiro emprego na vida em uma rádio cujo o dono e seus amigos viam que eu era um lixo e não tinham coragem de falar, enfim, não me deram emprego algum, enfim, eu nunca fui uma pessoa dessas por aí com sorte em nada. Ainda mais sendo gay e gostando de homem bonitão e mulherengo! O desprezo pelo visto sempre foi o meu maior companheiro.

Então cansado de tudo isso, decidi assumir o meu complexo de inferioridade, peguei um dinheiro que recebi aí e não pensei duas vezes: já que eu não posso ter quem eu quero  nem pra dar um selinho e tão pouco consigo me destacar no emprego que possuo, decidi extravasar comprando uma BMW X6, carro esse chamado pelos meus amigos do Zello de ‘carro do poder’,  sim, a X6 é minha, branca bonita e quitada!  Confesso que não fiz o seguro pois ficou na casa dos oito mil, mas enfim, tá aqui. Não precisei apelar vendendo curso de macumba ou pseudo física quântica pra comprá-la.  Agora quase todo o meu complexo de inferioridade está vingado, digo quase pois ainda não tive a possibilidade de ver um casal de namorados heterossexual numa chuva perto de uma poça de água para eu poder acelerar com tudo em cima para fazer com que a água da poça caia tudo neles enquanto eu grito bem alto:
-‘Riqueza não trás felicidade mas protege podre de chuva!’
Só depois disso eu vou morrer arrogante e com sensação de dever cumprido. Se bem que pra mim, a vida não tem dever algum, simplesmente ela é zoada como é e pronto.

Vou a pé ou de transporte público as vezes aos lugares, não quero arriscar tanto, afinal, não pago seguro, mas enfim ando por opção, não por imposição, ok?


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