Reformas trabalhistas na Alemanha Nazista – Deutsche Arbeitsfront DAF – Ilha de Java

Reformas trabalhistas na Alemanha Nazista – Deutsche Arbeitsfront DAF

Na atualidade quando ouvimos falar de socialismo logo nos lembramos da figura de Karl Marx  (1818-1883) , porem muita confusão é apresentada à internet ,  o que deixa muitas pessoas que estão buscando informações sobre o assunto ainda mais confusas. Uma das confusões apresentadas na internet brasileira é que Hitler e o nazismo eram socialistas só porque o partido nazista tinha a palavra “socialista” em seu nome (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei, NSDAP). Primeiramente temos que entender que uma pessoa ou nação não são socialistas só porque elas se intitulam assim.

Vejamos um trecho da entrevista feita por George Sylvester Viereck a Adolf Hitler  em 1923 e republicada na revista Liberty em 9 de julho de 1932 traduzida pelo site medium.com :

O entrevistador questiona a Hitler: 
“Por que você se intitula de Nacional Socialista, sendo que o programa do seu partido é exatamente o contrário daquilo que se normalmente relaciona ao socialismo?”

Hitler responde:
“O Socialismo é a ciência de lidar com o vergão comum. Comunismo não é Socialismo. Marxismo não é Socialismo. Os marxistas roubaram esse termo e deturparam seu significado. Eu irei pegar o Socialismo e o tirarei das mãos dos Socialistas.

O Socialismo é uma antiga instituição Germânica e Ariana. Nossos ancestrais germânicos detinham o poder de certas terras em comum. Eles cultivavam a ideia do vergão comum. O marxismo não tem direito de se disfarçar de Socialismo. O Socialismo, diferente do Marxismo, não repudia a noção de propriedade privada. Diferente do Marxismo, não envolve nenhuma negação de personalidade, e diferente do Marxismo, o Socialismo é patriótico.

Podíamos ter nos chamado de Partido Liberal. Decidimos nos chamar de “os Nacional Socialistas”. Não somos internacionalistas. Nosso Socialismo é nacional. Demandamos que o Estado realize os pedidos das classes produtoras por uma solidariedade de raça. Para nós, Estado e raça são uma coisa só.”

Na entrevistas acima notamos que o que Hitler enxerga como socialismo, segundo ele mesmo, não tem relação alguma com o que Karl Marx ensinava e que é conhecido hoje em dia.
O que muitos críticos chamam de comunismo nada mais é do que Marx pregava em seus livros e nada tinha com o que Hitler queria, por isso é incorreto dizer que o partido nazista era socialista só porque tinha esse nome em sua sigla partidária.

Já no livro Mein-Kampf que Hitler escreveu temos as seguintes passagens:

Não hesito em declarar que julgo os homens que arrastam o movimento de hoje na crise de divergências religiosas piores inimigos da pátria que qualquer comunista com tendências internacionais, pois converter o comunista é a tarefa do movimento nacional-socialista.

Nesse tempo, abriram-se-me os olhos para dois perigos que eu mal conhecia pelos nomes e que, de nenhum modo, se me apresentavam nitidamente na sua horrível significação para a existência do povo germânico: marxismo e judaísmo.

Notamos acima o profundo desprezo que Hitler nutria por qualquer tipo de ideia marxista. Ora! Não faria sentido uma pessoa que realmente acreditasse na crítica ao capitalismo, na luta de classes e na defesa da classe operária, sair por aí falando mal de Marx e dos marxistas Hitler fez.  Veja  que na reunião do Reichstag no Krolloper em 23 de março de 1933, Hitler explanou:

“A partir do liberalismo do século passado encontramos o desenvolvimento que depois encerra-se com o comunismo. Com isso mobilização combinada de instintos primitivos leva a uma conexão entre concepções de uma ideia política e as ações de criminosos reais. começado de saques, incêndios criminosos, ataques ferroviários, assassinatos e assim por diante, obtém respaldo moral na ideia do comunismo.”

Fica claro acima que Hitler enxergava o liberalismo como algo benéfico e merecedor de elogios, afinal ele atribui o desenvolvimento na Europa à onda liberal e atribui todo tipo de crime aos supostos comunistas.

A sedução enganosa de Hitler ao trabalhador alemão

Hitler em Maio de 1933 levou líderes sindicais de todas as partes da Alemanha para Berlim para dizer ao povo alemão que seria falso e injusta a afirmação de que as suas mudanças seriam contra o trabalhador alemão. Hitler disse a a mais de 100 mil trabalhadores que iria restabelecer a paz social no mundo do trabalho e isso logo começaria.

Hitler atribuiu a Robert Ley, um político nazista, a tarefa de formar a Deutsche Arbeitsfront, em sua primeira proclamação Ley explanou:
“Trabalhadores! As suas instituições são sagradas para nós nacionsal socialistas! Eu mesmo sou filho de camponezes pobres e sei como é ser pobre…
Eu conheço a exploração do capitalismo! Juro a vocês que nós não só manteremos tudo o que existe como também ampliaremos os direitos dos trabalhadores”

Com isso o partido nazista conseguira amansar a classe trabalhadora para logo mais lhe pregar uma surpresa. Três semanas depois, Hitler decretara uma lei que punha fim à negociações coletivas , que previa doravante administradores trabalhistas nomeados por ele mesmo com poder para regularem os contratos trabalhistas, para manter a tal paz trabalhista.

A decisão dos administradores trabalhistas tinha força de lei e com elas houve uma mudança totalmente oposta do que Hitler havia prometido ao povo alemão em Maio de 1933. A primeira medida dos administradores trabalhistas foi proibir o direito a fazer greves.
Robert Ley mudará também o seu discurso completamente e dizia que iria restaurar a liderança absoluta do lider natura de uma fábrica, ou seja, o empregador. Segundo ele, apenas o empregador poderia decidir.

A Deutsche Arbeitsfront (DAF) foi a única organização “sindical” permitida no governo do Terceiro Reich e contava com mais de 20 milhões de membros, a DAF nomeou 12 funcionários para regularem os salários, condições de trabalho e contratos trabalhistas em cada um dos distritos, com o passar do tempo realmente havia paz, os trabalhadores eram totalmente dóceis e não tinham mais voz ativa alguma. Mesmo assim, metalúrgicos, madeireiros, ferroviários mantiveram movimentos de organização trabalhadora ilegais. A DAF emitia carteiras de trabalho onde era escrito o histórico do trabalhador, sem esse documento o trabalhador era proibido de arrumar outro tipo de trabalhado. Os empregadores podiam apreender a carteira do trabalhador para que assim ele não arrumasse outro tipo de emprego.

Deutsche Arbeitsfront tirou o direito do trabalhador filiado de negociar com o seu patrão, a Deutsche Arbeitsfront funcionava apenas para assegurar e medir se o trabalhador tinha capacidade para trabalhar cada vez mais em troca de pequenos benefícios como descontos em viagens. Em 1933 a DAF decretou o congelamento de salários mesmo com o custo de vida ficando mais caro.
Assim como no Brasil de 2018, houve pouca resistencia às políticas da Deutsche Arbeitsfront pois o medo da repressão era muito maior. Para se ter uma ideia, em 1936, na empresa Russelsheim Opel, houve uma paralisação de apenas 17 minutos por parte de 262 trabalhadores que portestavam contra o corte salarial por falta de matéria prima. Os líderes foram imediatamente presos e mais de 40 homens foram colocados em uma lista negra do Reich.
Com tal política de amedrontamento, Robert Ley concluiu que a Alemanha era o primeiro país da Europa que havia terminado com a luta entre classes.

Semelhante ao Brasil de 2018, a participação dos trabalhadores alemães na renda nacional alemã havia caido de 56,9% em 1032 para 53,6% em 1938.
Ao mesmo tempo, a renda do capital e dos negócios havia subido de 17,4% da renda nacional para 26,6%.

Segundo o autor de “A ascensão e queda da Alemanha nazista (1959)”, William L. Shilrer, o nazismo cresceu com discursos contra a burguesia e os capitalistas mas acabou de fato beneficiando mais os capitalistas e burgueses que antes atacavam.”

Robert Ley certa veze fez aos trabalhadores da fábrica da Siemens em Berlim, um discurso que agradaria qualquer empresário dos dias atuais, ele disse:
“Somos todos soldados do trabalho, entre os quais alguns comandam e os outros obedecem. Obediência e responsabilidade têm que existir entre nós novamente… Não podemos estar todos no comando do capitão porque então não haveria ninguém para levantar as velas e puxar as cordas. Não, não podemos todos fazer isso, temos que entender esse fato. ”

O trabalhador alemão pagava 1,5% do seu salário à Deutsche Arbeitsfront , em 1937, estima-se que a DAF teria arrecadado 160 milhões de dolares sem ter o seu uso declarado. Hitler para se manter no poder sabia que mesmo enganando ao trabalhador, tinha criar empregos, então ele decidiu investir em construção de estradas para todos os lados.

 

Hitler o privatizador pioneiro

A grande depressão de 1929 estimulou o estado a se apropriar de várias empresas. Na Alemanha isso não deixou de acontecer. Na república de Weimar o estado alemão assumiu empresas em vários setores para frear a crise. Depois com a ascenção do nazismo, foram trasnferidas foram transferidas várias empresas ao setor privado novamente. Tal movimento foi chamado de reprivatização e andou na contra mão da tendencia dos países capitalistas ocidentais.

Hitler chamou para coordenar o seu plano econômico neoliberal o banqueiro Hjalmar Schacht, foi ele que tornou possivel uma a uma as privatizações do governo nazista.

O Terceiro Reich mandou vender empresas como Deutsche Reichsbahn que fazia ferrovias e a mineradora Gelsenkirchen Bergbau. Claro, a venda era feita para amigos do partido nazista que os financiavam depois. Também temos o destaque em 1937 da privatização do Deutsche Bank, banco esse que dura até os dias atuais.

A privatização nazista foi a pioneira em transferir para a inciativa privada a prestação de serviços públicos que anteriormente eram prestados pelo governo.

Ao contrário de um sistema marxista real, o nazismo ajudou a manter vivas muitas empresas, segundo o site Fatos Desconhecidos, as empresas que tiveram lucros com o sistema nazista de governo foram:
Kodak, Hugo Bossa, Volkswagen, Bayer, Siemens, Coca-Cola, Ford, IBM, BWM e General Elétric.

 

Conclusão

O governo nazista robotizou o povo alemão para que ele trabalhasse muito sem ter muito lucro enquanto as empresas ganhavam lucros cada vez maiores que em parte ajudavam ao regime nazista se manter, mostrando assim que o povo realmente se guia pela “tragédia dos comuns”: a desgraça do outro não me importa e se eu tiver uma relativa segurança.
O regime nazista através do seu líder máximo mostrou sentir verdadeira ojeriza por ideologias comunistas/marxistas e na prática se mostrou um regime autoritário com práticas neoliberais com intuito de vender a mão de obra de seu povo para receber mais dinheiro e assim ficar mais forte. A lição que fica é que para ganhar o poder e acalmar as massas, os alpinistas sociais prometem conforto, alegria e paz, depois quando conseguem o que querem, são enérgicos, duros e oferecem vez ou outra um pequeno benefício para que os amedrontados fiquem gratos por não serem ainda mais esmagados, essa é técnica do psicopata: dar a face ruim na maioria das vezes para que a face boa seja considerada um prêmio e com isso conseguir a lealdade baseada no medo.

FONTES:
http://spartacus-educational.com/GERlabour.htm
http://www.tirodeletra.com.br/entrevistas/AdolfHitler.htm
https://medium.com/@rapharris_/como-o-nazismo-n%C3%A3o-pode-ser-de-esquerda-e-na-verdade-%C3%A9-bem-de-direita-e573ac9092e1
https://amp.theguardian.com/theguardian/2007/sep/17/greatinterviews1
http://www.ub.edu/graap/nazi.pdf
https://www.fatosdesconhecidos.com.br/10-empresas-que-lucraram-com-o-nazismo/


http://www.javanunes.com/libertadores/reformas-trabalhistas-na-alemanha-nazista-deutsche-arbeitsfront-daf/