Ser gay – Ilha de Java

Ser gay

Sou gay e gosto de heterossexuais
Muitas mulheres acham em sua santa ingenuidade que ser homossexual como eu sou é algo muito divertido, se enganam. Eu vou explicar o porquê.

Eu desde os meus três anos me percebi atraído sexualmente por símbolos que representem a masculinidade e os homens mas não de uma forma comum a todos os homossexuais: eu nunca conseguir sentir atração sexual por outros gays. Simplesmente quando eu me vejo sendo atraído sexo-afetivamente por um ser humano, ele simplesmente não é gay, não é bissexual, não é ativo, ele é simplesmente um homem normal que gosta de mulheres. Isso me leva a ser questionado por um público grande de pessoas que parecem resistirem em entender que um outro gay pode muito bem não querer se entrosar sexualmente com outra coisa igual a ele.

Por isso eu recebo todos os tipos de questionamentos idiotas possíveis que se possa imaginar e um bem frequente é:
“Como é que você sabe que gosta só heteros se você nunca provou um gay?”
Bem, as pessoas acham que  para se “provar alguém” a única forma possível levar esse alguém pro meio da cama. Isso é tão idiota como se dizer que uma pessoa tem que provar como é ser rica para depois querer a riqueza.
O pobre pode não saber como é a riqueza mas ele sabe muito bem o que é pobreza e os problemas causados por ela como por exemplo ter uma doença curável e não ter dinheiro para o seu tratamento. Morar em um pardieiro e ser despejado desse local as sete da manhã achando que uma providencia divina irá lhe livrar de ir morar na rua. Você nesse caso não sabe o que é ser rico de forma totalmente consciente mas sabe que se fosse,  não estaria pelo menos sujeito a esses problemas, isso já é suficiente para um pobre querer aspirar a  posição de riqueza. Alem do mais, existem vários tipos de se provar ou se imaginar em uma situação sem realmente estar nela, o nosso cérebro tem o poder se nos ver em determinadas situações para perceber como as nossas emoções respondem. Você não precisa pular dentro de um vulcão para saber que não quer estar  dentro dele. Da mesma forma que você não precisa levar alguém para cama para saber que esse alguém lhe excita ou não, tanto sexualmente como afetivamente.

A unica vez que hetero beija um gay

E como “provamos” alguém sem ser pelo sexo? As relações humanas não se dão só pelo sexo felizmente: podemos falar, tocar, olhar, conversar, cheirar, julgar, esbarrar e até discordar de alguém para sabermos se ela nos causa uma cobiça que nos leve à grande possibilidade de termos uma excitação sexual satisfatória. A maior prova disso é que as pessoas não transam em condições normais , de supetão com qualquer ser que apareça na frente dela em menos de cinco segundos, existe uma análise prévia que leva a pessoa a decidir ou não se aquilo que está na frente dela pode ser satisfatório sexo-afetivamente ou não.

É claro que com uma análise mais detalhada de um conjunto maior de características da outra pessoa, a possibilidade de erro sobre a satisfação sexual que ela proporcionaria é bem menor. Por isso eu chego à conclusão que a atração sexual não é empírica e portanto não carece experimentação na maioria das vezes para saber se realmente quem lhe excita lhe causará prazer
sexo-afetivo dispensando assim o contato obrigatório sexual com todos indivíduos de um grupo para saber qual lhe trará satisfação mental ou física.  Eu fecho essa resposta dizendo que se for para eu me forçar a gostar de um gay, seria mais lucrativo socialmente eu perder esse mesmo tempo para eu me forçar a gostar de uma mulher, pelo menos o meu corpo me ajudaria muito mais.

Vamos pensar: um rapaz comum com os seus 16 anos , virgem e aficionado por mulheres peladas em revista, ele se masturba constantemente por elas escondido da família nos banheiros da vida, como esse rapaz sabe que gosta dessas mulheres se ele nunca levou para cama uma delas? Repare que a mesma situação acontece com os heterossexuais mas ninguém percebe e acha normal o fato da excitação deles vir primeiro do que o contato físico?

Pois bem, eu não me sinto atraído por homens gays, sejam eles discretos ou não, ativos ou não, masculinos ou não. Existe algo dentro de mim que os identifica com um tempo e que exaure qualquer possibilidade de atração por eles, se eu me forçar a gostar desse tipo de homem certamente eu vou me sentir enganado assim como quem compra um produto falsificado achando que está comprando um produto verdadeiro.

Veja por exemplo os homens que agarram o Pabllo Vittar nos seus vídeo clipes, todos são homens com um Q feminino dissimulado muito forte, possuem cara de pusilânimes , rostos que precisam forçar a barra se passarem por homens. Eu não sei explicar direito mas são homens que se colarem uma peruca e rasparem a barba ninguém percebe que é homem. Os seus corpos podem até ser malhados mas os rostos são sempre como um bolo que saiu do forno antes da hora. Falta algo neles que é muito complexo eu tentar verbalizar e é esse tipo de homem que os gays conseguem ter. Só.

Daí me surge uma outra pergunta retardada que é muito frequente:
“Ah, mas se um hetero gostar de você ele não será mais hetero mas sim gay. E aí  você deixará de gostar dele.”
Bom, corrigindo: se um hetero que eu gosto passar a gostar de mim, não sei por que cargas d’água, ele não será gay mas sim bissexual e eu não o teria repulsa dele por isso, a atração não é algo assim tão matemático como um ignorante pode imaginar, se o homem hetero em questão que viesse a ser bissexual se atraindo por, se ele mantivesse naturalmente as suas características que me fizeram eu me atrair por ele, não teria mudança alguma. Acontece que eu nunca vivenciei essa situação.

Até hoje eu sou virgem graças a isso, eu nunca beijei, namorei ou tive relações sexuais com ninguém e mesmo assim ouço amigas querendo terem nascido como gays. Eu acho isso um absurdo! É como se um bom piloto de F1 quisesse a vida inteira competir em um único carro que não passasse de 45 KM/h quando o seu potencial lhe permitiria usar e andar em carros que chegassem a 370 KM/h em uma competição. Não faz sentido!

Uma outra coisa que me irrita muito nessa vida gay que eu levo é o seguinte: as pessoas só lembram de você quando elas têm algum tipo de interesse profissional. Enquanto as nossas “pobres” mulheres tentam criar leis que proíbam o homem até de piscar para elas na rua, na desculpa de se evitar o assédio sexual, gays como eu só faltam colocarem um cartaz enorme na roupa dizendo: “POR FAVOR, ALGUM HOMEM ME PODE ME PAQUERAR?” , eu sei que isso pode parecer ridículo para quem tem uma vida sexual  farta mas pra mim não é, desses meus 48 anos de vida vividos em absoluta solidão, eu nunca soube o que é ser cortejado por alguém que pelo menos fizesse um ato sexual satisfatório comigo, não digo nem namorar pois isso é luxo demais para alguém em minha situação, é querer demais isso, digo apenas uma cantada convidando para um ato sexual desprezível qualquer, nem isso se quer nunca foi desferido a mim.
Essas mesmas mulheres que acham que tudo é assédio sexual, mereciam nascer nas mesmas condições em que eu vivo atualmente: chegar aos 48 anos de vida virgens e desprezadas pelos homens mais desprezados pela sociedade como os moradores de rua, aleijados, ladrões, estupradores e doentes mentais. Nem esses que a vida os humilharam, me quiseram. O que dirá os ditos normais.

Seria muito bom uma mulher que prega o fim de todo tipo de cantada masculina viver como eu vivo.
Essas mulheres recebem em seus telefones celulares avisos, desenhos de florzinhas, carinhas, poemas, avisos de parabéns, cantadas descaradas, tudo em demasia. Agora eu, o homossexual,  pode parecer exagero mas o ultimo telefonema  que eu recebi  de um ser humano que me ligou para falar de assuntos “não profissionais” e “não financeiros” foi a exatos 17 anos atrás.
No meu celular hoje em dia é só lembretes do meu serviço, contas a pagar e a receber  e pedidos de consultoria.
Gays só são chamados pelos outros, principalmente pelos homens, quando se trata de explorá-los intelectualmente até a ultima gosta de sangue.

Geralmente pensam assim sobre nós quando raramente nos ligam:
— “O cara não tem filho, não tem mulher, não tem vida social, é sozinho, deve ter dinheiro sobrando e pode me ajudar em alguma atividade qualquer!”
— “Vou pedir pra ele me ensinar a fazer um blog de graça, ele tem tempo sobrando mesmo…”
— “O cara não tem filho, mulher, amor, vida social mesmo, chama ele lá pra fazer horas extras até ele não aguentar mais.”

Já as mulheres são mais generosas com pessoas como eu, elas pensam assim:
— “Ele não gosta de gay nada, quando ele ver o meu amigo viado ele vai amar, só não quero que ele mexa com o meu namorado”
— “Olha, a felicidade dele é simples, basta ele virar travesti e cortar o pinto fora”
— “Vai no psicólogo , preciso ir, beijos! mas antes faz aquele favorzinho pra mim amor?”
— “Vou lá pegar conselhos com meu amigo gay, ele só serve pra isso mesmo, coitado”

E a família ? Bem a família é aquilo: se você for gay mas for produtivo financeiramente, eles ignoram a sua sexualidade e fingem que você é um ser assexual. Sua família trepa, fode, goza fartamente às escondidas e você ainda leva a fama de atrapalhá-los mas eles não mexem contigo. Agora se você for improdutivo financeiramente, aí toda hora você ouve:
— “Eu quero viver a minha vida, você nunca sai de casa, parece uma ostra!”
— “Deus fez o homem pra mulher e a mulher pro homem.” (os anjos ninguém cita…)

Enfim, a nossa vida(de gays iguais a mim que gostam só de heterossexuais) é assim, condenada ao ostracismo, esquecimento , desolamento e exploração. Enquanto todos os seus amigos heterossexuais com a suas mulheres formosas em casa, vão escondidos procurarem aventuras extraconjugais na virada de sexta pra sábado, eu faço blog…
Enquanto os heteros postam fotos com os seus troféus sexuais nas redes sociais, eu posto vídeo que ninguém quer ver no Youtube.

Nessa situação social na qual eu me encontro, ninguém me pergunta se eu estou infeliz com a minha sexualidade, quem eu gosto atualmente ou como eu poderia me sentir melhor. As raras pessoas que ainda  falam comigo apenas me mandam fazer cursos, faculdade, me especializar em algo, fazer um doutorado e me lixar bem longe delas, afinal a sociedade capitalista prega o absurdo que é mais ou menos assim: Quem luta consegue tudo aquilo que quer! Problemas é só para as pessoas “Mimimis”.
Se eu não posso ser sexualmente interessante para alguém, as pessoas só me enxergam como um mero objeto ruim de produção, elas apenas se “preocupam” se as minhas condições produtivas(conselhos, técnicas, força e  inteligencia) estão boas para elas se servirem disso, o resto, foda-se!
Gays não precisam de vida afetiva mesmo, eles são os nossos eternos palhaços inteligentes e foram feitos para nos alegrarem. Continuem o espetáculo!

Vejam também: Sou gay e gosto de heterossexuais | Meu primeiro fora gay


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