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Charles Bukowski  é o JavaNunes que deu certo na vida. Um homem que não esconde o que é para agradar a sociedade nojenta e viciada na própria mentira que produz.

Assim como eu tenho coragem de contar pra todos que eu sou um fracassado, Charles tem coragem de falar palavrões em seus poemas mostrando como a vida maldita é.

A minha vida não é bonita,  nem quero mais que seja, afinal o sucesso é uma forma de escravidão. Ácido, venenoso e profundamente desgraçado, assim é o velho Bukowski , o meu herói!

O pássaro azul
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo, fique aí, não deixarei que ninguém o veja.
há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas eu despejo uísque sobre ele e inalo
fumaça de cigarro
e as putas e os atendentes dos bares
e das mercearias
nunca saberão que
ele está
lá dentro.
há um pássaro azul em meu peito
que quer sair
mas sou duro demais com ele,
eu digo,
fique aí,
quer acabar comigo?
(…) há um pássaro azul em meu peito que
quer sair
mas sou bastante esperto, deixo que ele saia
somente em algumas noites
quando todos estão dormindo.
eu digo: sei que você está aí,
então não fique triste.
depois, o coloco de volta em seu lugar,
mas ele ainda canta um pouquinho
lá dentro, não deixo que morra
completamente
e nós dormimos juntos
assim
como nosso pacto secreto
e isto é bom o suficiente para
fazer um homem
chorar,
mas eu não choro,
e você?


Dinossauros, nós
Nascemos assim
Nisto
Enquanto as caras de giz sorriem
Enquanto a Sr.ª Morte ri
Enquanto os elevadores se avariam
Enquanto as paisagens políticas se dissolvem
Enquanto o caixeiro do supermercado mostra o seu diploma
Enquanto o peixe sujo de petróleo cospe a presa oleosa
Enquanto o sol está mascarado

Nós
Nascemos assim
Nisto
Nestas guerras cuidadosamente loucas
Neste espectáculo de janelas de fábricas partidas de vazio
Em bares onde as pessoas já não falam umas com as outras
Em rixas de rua que acabam em tiroteios e navalhadas

Nascemos nisto
Em hospitais que são tão caros que é mais barato morrer
Entre advogados que cobram tanto que é mais barato confessar-se culpado
Num país onde as cadeias estão cheias e os manicómios fechados
Num lugar onde as massas elevam cretinos a heróis ricos
Nascemos nisto
Passeando e sobrevivendo nisto
Morrendo por causa disto
Silenciados por causa disto
Castrados
Debochados
Deserdados
Por causa disto
Enganados por isto
Explorados por isto
Mijados em cima por isto
Enlouquecidos e adoecidos por isto
Feitos violentos
Desumanizados
Graças a isto

O coração escureceu
Os dedos procuram a garganta
A pistola
A faca
A bomba
Os dedos procuram alcançar um deus indiferente

Os dedos procuram a garrafa
O comprimido
O pó

Nascemos nesta mortalidade pesarosa
Nascemos num governo endividado em 60 anos
Que em breve será incapaz de pagar os juros dessa dívida
E os bancos hão-de arder
O dinheiro será inútil
Haverá assassínio aberto e impune nas ruas
Serão pistolas e turbas errantes
A terra será inútil
A comida será um retorno decrescente
O poder nuclear será tomado pela multidão
Explosões assolarão continuamente a Terra
Homens-robô radioactivos perseguir-se-ão uns aos outros
Os ricos e os escolhidos olharão do alto de plataformas espaciais

O inferno de Dante será encarado como um recreio para crianças
Não se verá mais o sol e parecerá sempre de noite
As árvores morrerão
Toda a vegetação morrerá
Homens radioactivos comerão a carne de homens radioactivos
O mar será envenenado
Os lagos e os rios desaparecerão
A chuva será o novo ouro

Os corpos pútridos de homens e de animais tresandarão no vento escuro

Os poucos e últimos sobreviventes sofrerão de novas e hediondas doenças
E as plataformas espaciais serão destruídas pelo atrito
O desaparecimento gradual de suplementos
O efeito natural da decadência geral

E haverá o mais belo silêncio alguma vez ouvido

Nascido de tudo isto.


O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.”


“Não era meu dia. Não era minha semana. Não era meu mês. Não era meu ano. Não era a porra da minha vida.”


“O que eu odeio é que algum dia tudo se reduzirá a nada, os amores, os poemas. Acabaremos recheados de terra como um taco barato. Que coisa mais triste, tudo é tão triste – a gente passa a vida inteira feito bobo pra depois morrer que nem besta.”


Eu era pior que qualquer puta; uma puta só toma seu dinheiro, nada mais. Eu bagunçava vidas e almas como se fossem brinquedos. Como é que eu ainda me considerava um homem?”


“As pessoas são interessantes no início. Aos poucos, porém, todos os defeitos e loucuradas botam as manguinhas de fora, é inevitável. Começo a significar cada vez menos pras pessoas, e elas pra mim.”


“Cheguei numa fase da minha vida que vejo que a única coisa que fiz até agora foi fugir, fugir de mim mesmo, do meu nada, e agora não tenho mais para onde ir, nem sei o que vou fazer, fui péssimo em tudo.”