A ‘mediunidade’ me parece loucura

As pessoas sempre se sentem muito ofendidas com a minha opinião sobre o assunto mas o que acho é baseado nos desafios de testes que proponho e não na minha birra em fazer o lado contraditório de todos assuntos.

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O brasileiro em sua cultura luta e preza de forma veemente por dois valores: a sexualidade e a religiosidade. A sexualidade e a religiosidade de um brasileiro devem ser tratadas de forma muito cuidadosa pois ambos são terrenos férteis para desavenças, ódio e melindres.

O brasileiro acredita que todo problema mental se resume a esquizofrenia, todo mundo que vai a um psicólogo para ele é louco e muitos loucos (portadores de esquizofrenia) são tratados por espíritas como pessoas vítimas de ataques espirituais.

Pois bem, pra mim nenhuma ideia é absurda desde que possa ser investigada, desmentida ou comprovada. Se o espírita alega que um cidadão qualquer com problemas mentais possa ser um médium ostensivo , ok, ele precisa então ter insumos suficientes para levar alguém pensar assim e não apenas pensar que as coisas são assim porque simplesmente lhe causa prazer pensar assim ou porque fulano lhe disse que é.

Os espíritas costumam tecer teses mirabolantes e lindas usando de palavreado refinado e casto para convencer os seus interlocutores que o que eles falam é verdade, a Navalha de Ockham passa longe nesses casos, é comovente, tem um sentido moral e é bonito, pronto, para o espírita é verdade e é de muito mal tom questioná-los. Eles alegam que a religião deles é uma ciência, uma ciência que estranhamente não gera tecnologia e que não pode ser refutada, na “ciência” deles, tudo já se sabe mas a tecnologia só é explorada quando alguém da ciência de verdade põe em prática. Para se defender disso, é muito comum o espírita tradicional e o espiritualista dizerem com tom de orgulho:
“ — Ah, essa é a MINHA verdade!”
Como se o fato dele chamar algo de “verdade” e depois colocasse como sendo dele, lhe pudesse servir de desculpa para legitimar qualquer absurdo proferido. Ora! Se a verdade muda conforme o gosto do cliente, o que seria mentira então? Essa frase a meu ver é mais um pedido de licença para mentir livremente sem ser perturbado. Se eu falar que sei pilotar um avião e ao ser questionado onde eu aprendi a fazer isso eu responder que essa é a minha verdade, isso me qualificaria para pilotar um avião comercial levando 200 pessoas a bordo? Pra mim a verdade é algo que acontece ou aconteceu independentemente de eu existir ou não, a percepção desse fato pode até ser diferente, a verdade é a constatação por vários sensores que algo fez X e não fez Y ou Z, a verdade é uma assinatura física que diferencia coisas de outras coisas.

Quando um medium dito ostensivo é questionado sobre os tais espíritos que ele enxerga e sua comunicação com eles, por acaso algum desses espíritos oferece consegue ir ver alguma que esteja na mão de outra pessoa no local e ir no ouvido ou na mente do medium contar exatamente o que tem na mão da outra pessoa? Não. Veja, mesmo os espíritas nos dizendo que temos muitas pendências com muitos entes passados que tentam nos prejudicar nessa vida, é incrível que nenhum desses entes que nos odeiam pegue as nossas senhas digitadas no computador ou no nosso banco e saiam por aí espalhando para os nossos inimigos. Os mediuns sempre deixam bem claro que o “o telefone só toca do lado de lá para cá” mas eu nunca vi nenhum espírito querendo se vingar de alguém sair caguetando que a mulher de fulano está lhe traindo com outro dando exatamente o nome e o momento. Todo contato dito espiritual parece ser com poucas palavras que são clichês como “busque o conhecimento”, “é preciso evoluir”, “temos que fazer caridade”, pelo visto a morte torna as pessoas mortas meio que anestesiadas como se fossem usuárias de maconha: nunca falam nada com nada e estão sempre envoltas de uma paz quase que doentia de quem tomou Rivotril.

Ah, muitos irão me questionar sobre as cartas “psicografadas”, ao meu ver essas usam-se das mesmas técnicas das malas diretas entregues hoje nos nossos e-mails: máquinas que nem sabem quem somos, usando o nosso nome para forçar um clima de pessoalidade irritante dizendo qualquer coisa para um número grande de pessoas: Oh, é claro que a situação descrita mais hora ou menos hora irá se encaixar com a vida de alguém. Isso quando o próprio “medium” que “psicografa” não manda se investigar antes ou in loco , a vida de alguma pessoa fragilizada que esteja no local para depois impressioná-la…

Eu lembro que uma vez eu desafiei um medium a descrever como era a minha casa vindo a ela com a minha autorização antecipada, ele então quis que eu lhe desse então o endereço. Eu respondi: Bom, assim, com o google maps é muito fácil você saber, não é não? Esperto!

Hoje em dia temos uma glamorização enorme do que se sente, então as pessoas pegam qualquer sentimentos que passam pela mente delas e para quebrarem a monotonia da vida delas, atribuem isso a alguma entidade, pronto! Está formado um novo médium, com direito a chamar sonho de viagem astral e tudo mais. E o pior, você tem que acreditar pois é a “verdade” dele! Se a verdade é dele, por que ele sente tanta necessidade em expor isso aos outros, afinal se a verdade é dele, aquilo só vale pra ele.

Bom , de todas essas coisas, só para não ser injusto, o que me parece menos contraditórias são as experiências de quase morte (EQM) pois elas pelo menos mostram relatos de pessoas que dizem se deslocarem do próprio corpo vendo detalhes ao seu redor que APARENTEMENTE foram confirmados por outras pessoas que estavam no mesmo ambiente. Seria muito mais interessante se esquecer todas essas paixões religiosas por mitos como Jesus, Buda, Deus, Satanás e ir em cima dessas experiências para se medir se realmente elas comprovam ou não que a mente pode existir sem o cérebro da pessoa.

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