Empresas que trocam seus canais de comunicação pelo Whatsapp assumem pequenos riscos

Muitas empresas com o surgimento da pandemia BOMBRIL (mil e uma utilidades) estão ampliando os seus canais de comunicação para soluções “publicas” que não controlam diretamente, um exemplo disso é o uso do Whatsapp…

O uso de um messenger tão popular como o Whatsapp pode realmente agilizar muito a comunicação mas existem alguns riscos nisso e como sempre as empresas no afã de conseguirem lucro de maneira rápida, acabam ignorando.

Quando uma empresa, faculdade ou órgão do governo larga a mão dos seus meios tradicionais de uso sistemas da informação para usar o de terceiros, corre o risco de ficar “refém” da vontade de terceiros. É algo bem temerário mas infelizmente a premissa de algumas instituições brasileiras é deixar o incêndio acontecer para depois pensar em apagá-lo, a primeira vista parece mais barato até e é realmente uma forma tentadora de se pensar, afinal, é da nossa deixar todas gambiarras para se resolver em ultima hora.

Veja , digamos que eu abra uma faculdade e faça o canal de comunicação primário dela com os alunos ser um messenger como o Whatsapp, os meus alunos então tranquilos viajam para outros locais do globo confiante que terão um atendimento barato em qualquer momento pelo App. Ok.
De repente, como é de costume, um juiz super poderoso brasileiro e com poucos conhecimentos em informática, decide de forma arbitrária que tem que tirar tal aplicativo todo do ar de todo o Brasil pois a fulana lá do Capão Redondo, que planejou o sequestro de um familiar dele, tem mensagens confidenciais supostamente salvas enviadas ao executor do crime só que ambos destruíram os seus celulares e a empresa que cuida do Whatsapp se nega a revelar os detalhes que o juiz necessita pois o seu servidor encontra-se em um lugar de jurisdição diferente. Bom, nessa situação a guerra jurídica vai tirar o aplicativo do ar e provavelmente aplicará multa diária. Enquanto isso, o aluno que precisava se comunicar com a faculdade nas férias referente a uma documentação, se lasca!

Ao meu ver, uma boa prática seria a instituição manter os canais de comunicação tradicionais funcionando, um app próprio dela e o Whatsapp além de concorrentes como Telegram, afinal de contas, depender apenas de um único “fornecedor” para lhe dar com um ativo tão importante de uma empresa que é o seu público, é brincar com a própria sorte.

Outro fator que as empresas ignoram solenemente ao migrarem as suas centrais de atendimento para o Whatsapp é obsolescência rápida que os sistemas operacionais atualizáveis têm. O sistema operacional do seu celular moderno foi projetado para ser amplamente atualizado, afinal cada hora os fabricantes inventam uma funcionalidade a ser explorada , consequentemente os desenvolvedores
vão querer projetarem os seus apps explorando essas possibilidades, aí na melhor das hipóteses, quando o desenvolvedor do seu app, no caso o Whatsapp, quiser explorar uma funcionalidade que o seu celular não tem mais, o que acontecerá? A próxima versão dele não será mais compatível com o seu celular e em breve a versão antiga que roda no seu aparelho não conseguirá trocar mais informações com a plataforma do Whatsapp, inviabilizando a sua comunicação. Ou você “hackeia” pra tentar rodar o app , ou você “hackeia” a loja virtual dele para tentar instalar a versão mais recente de forma irregular, o que as vezes funciona ou faz o que a maioria das pessoas fazem que é se obrigar a comprar um celular novo e com isso ajudar o mundo ficar mais poluído do que já é, viva ao consumismo incentivado pela obsolescência muitas vezes providencial do seu celular !!!
Pergunte se a empresa que se comunica com você pelo celular vai lhe dar um celular novo cada vez que atualizar o Whatsapp.
Pergunte também se a obsolescência do Whatsapp nos celulares será igual à versão que as empresas rodam em seus computadores dos aplicativos que elas usam para atender as suas comunicações via Whatsapp. Pois bem, só nisso, as empresas já excluem uma parte da sua clientela, afinal não é todo mundo que compra um celular novo só para acompanhar as versões novas do Whatsapp.

Outra coisa que acontece muito hoje em dia e que pode complicar mais essa forma de comunicação: as pessoas usam muito planos de celulares pré pagos, ou seja, põem crédito nas linhas quando existe intenção em usá-las, quando não se tem, depois de um determinado tempo, perde-se a linha. O Whatsapp é amarrado ao número do seu chip, se ele muda e você precisar de trocar de chip, correrá o risco de perder toda comunicação do seu Whatsapp e a empresa por segurança, pode não lhe fornecer informações necessárias usando um número não cadastrado com ela.

Também temos a possibilidade de empresas com cadastros desatualizados mandarem mensagens de Whatsapp para cliente errados com números que antes eram de outros usuários.

Também existe os celulares mais simples, os chamados “celulares para idosos” onde não se instala aplicativos, esses não poderão usar Whatsapp e consequentemente não poderão se comunicar com uma empresa que só tenha esse canal de comunicação.

Além do mais, todo mundo quando vai querer se comunicar com uma empresa e vê que o seu telefone começa com 9 , já começa a questionar a seriedade dela, afinal, o que mais existe é bandido usando celular para aplicar golpe da cadeia em cima de quem é crédulo e não está acostumado com meios eletrônicos. É ruim para a imagem de uma empresa usar um celular começado com 9. Alguém mal-intencionado pode fazer um site falso, misturar o Whatsapp da empresa correta com o Whatsapp dele como número alternativo e oferecer o “atendimento”, afinal de contas, Whatsapp empresarial não usa voz de ser humano para falar com você. Da mesma forma que circula notícias falsas no Whatsapp sem muitos problemas, pode também circular que o número de atendimento de sua empresa mudou para um de um criminoso …

Por fim, o Whatsapp pode deixar de existir ou ser bloqueado por algum governo e ao meu o pior problema envolvendo a comunicação com essa plataforma é sua obsolescência.

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