Existe pensamento depois da morte?

Existe vida depois da morte? Entenda-se vida nesse caso como continuação da personalidade e conhecimentos de um ser sem a necessidade do corpo dele que foi severamente danificado. Existe um outro modo onde a sua consciência, a sua cultura adquirida e o seu jeito de ser permanecem sem ser visível ao olho humano?

Pois bem, a maioria das religiões dizem que sim só que as religiões também afirmam todos os tipos de absurdos que se possa imaginar colocando assim em descrédito qualquer uma outra afirmação que faça.

Embora a religião não seja fonte confiável para quase nada sério, quando falamos de existência posterior à morte logo nos vem à mente o espiritismo kardecista, os seus autores mais famosos e os seus seguidores engravatados, típicos da classe média e que vira e mexe se brasileira usando um português arcaico para ganharem confiabilidade do povo crédulo e emocional. O problema do espiritismo é que ele copia as coisas politicamente corretas da religião judaico-cristã, altera um pouco aquilo que não agrada e vende um ‘conhecimento’ sobre quase qualquer coisa dentro do universo baseando-se apenas naquilo que fulano ouviu ciclano dizer que ouviu de um espírito falar, o tal ‘espírito’ que falou você tem que aceitar que realmente ele estava certo e que realmente era um espírito também, não existem falhas no o dito espírito transmitiu e questionamentos são tidos ou como eréticos ou como claro sinal de ‘falta de conhecimento’ da Obra, o espírita não admite que possa conter erros no seu conjunto de crenças ou obras , igualando-se assim a qualquer religião e tornando dessa forma a sua doutrina em um verdadeiro oráculo. Além do mais, o espiritismo vende a ideia estranha de que nossa “casa” não é aqui, ficaremos aqui por pouquíssimo tempo e mesmo assim precisamos aprender lições que só tem valor aqui. Que nexo isso tem? Isso seria equivalente a mandar um chinês aprender português no Brasil por cinco meses para depois ele voltar pra China e nunca mais precisar usar essa língua ou se lembrar que o Brasil existe, como divertimento pode ser até louvável, mas como utilidade de desenvolvimento eu não vejo nexo algum.

Sem dúvida o espiritismo tem o poder de levar conforto aos mais crédulos através de suas estórias, assim como um bom livro ou ficção pode fazer quando se explica em forma de contos com fundos morais que toda desgraça que acontece a um cidadão, sem motivo aparente algum, é fruto de complicações adquiridas em seu passado tortuoso em uma outra vida. É uma ideia bonita mas que não pode ser verificada, ou seja, serve como panaceia psicológica.

Quando eu me indago sobre a suposta vida após a morte eu não uso a religião kardecista cheia carga emocional e moralismo cristão. Quando eu falo desse assunto de vida depois da morte do cérebro eu prefiro me basear naqueles relatos das experiências de quase morte (EQMs) que não têm um compromisso claro de corroborar o espiritismo, embora os seus entusiastas possam querer induzir-nos a isso. As experiências de quase morte são aquelas ocasiões onde o corpo da pessoa sofre um dano sério em um de seus sistemas a ponto de “desligar” os sentidos dela de forma que os nossos aparelhos hospitalares não consigam detectá-los como ativos. Por geralmente esses casos envolverem farta documentação hospitalar além de terem vínculos verificáveis com a realidade do meio ambiente do paciente, eles acabam sendo as melhores entradas para quem deseja pesquisar o assunto evitando-se ao máximo a ‘sujeira’ religiosa que atrapalha e que leva à conclusões precipitadas sem embasamento algum.

É claro que nem todas EQMs apresentam qualidade boa para a verificação de vinculo com a realidade, um exemplo são aquelas onde a pessoa sofre um acidente e logo se vê num mundo lúdico onde nada tem relação comprovável com o nosso mundo.
As EQMs boas são aquelas onde a pessoa com o corpo danificado e sem os sentidos funcionando de forma adequada, consegue registrar todos os detalhes do que acontecia no seu meio ambiente e no entorno dele de forma a se gerar insumos para se promover uma investigação posterior que constate ou não o que foi aparentemente registrado por um corpo que não poderia registrar.

Um exemplo desse tipo de EQM foi um caso onde um paciente levado em coma para o centro de operações teve um objeto seu levado e guardado pela enfermeira num local onde ninguém sabia. Quando o paciente acordou, ele mesmo deu detalhes de onde o seu pertence havia sido guardado e quem o guardara e o mais importante, com comprovação posterior positiva que é o que importa, embora mesmo nesses casos ainda haja espaço para questionamentos, o que torna tudo ainda mais saudável e menos religioso.

Grande parte das pessoas que dizem terem passado por essa experiência relatam que se moviam no mesmo espaço onde nós estamos porem sem ter necessidade de recorrer a esforço motor algum, bastava pensar em ir a um ponto X que já se estava ou já se era o ponto X, a visão dessas pessoas ficavam abertas num raio de 360 graus em todos os eixos podendo ver cores que aqui não conseguimos ver. Outro ponto interessante a respeito dos sentidos é a audição, relatos dizem que a pessoa começa a ouvir comentários e até mesmo pensamentos de outras pessoas que passam pelo local onde o seu corpo foi danificado, isso num raio que passa das condições de percepção de um ouvido humano. Pode então se dizer, baseando-se nos tais relatos que a “morte” deixa as pessoas “super bionicas” aumentando a capacidade de todos os seus sentidos e diminuindo a resistência dela no ar e nos outros elementos, dando a entender que o corpo é uma prisão ou um robô operário muito rudimentar.

É comum pessoas no estado de EQM verem dois mundos distintos: esse onde estamos e que é capaz de ser confirmado através de pontos de referencia checados posteriormente e o outro mundo lúdico onde geralmente é induzida por outras inteligências persuasivas a ter uma postura resiliente. Esse mundo lúdico pode ser diferente de pessoa para pessoa mas o nosso mundo aqui sempre continua o mesmo, bem diferente dos relatos inconsistentes das pessoas que defendem a tal da “sono viagem astral” que vira e mexe afirma que o mundo daqui visto do outro lado é levemente modificado, bom isso me soa mais como desculpa para ares de verdade a sonhos mais vívidos com o ambiente onde a própria pessoa mora ou conhece. As EQMs boas relatam que o ambiente onde vivemos fica da mesma forma, a diferença é que as pessoas que sofreram acidente tentam se comunicar conosco as vezes até mesmo por “gritos” mas sem sucesso, isso no fim as fazem se sentirem até mesmo desprezadas propositalmente. Tem muita gente que diz que estava caída no meio de um acidente qualquer de trânsito e que enquanto todo mundo estava apavorado tentando ajudar, a pessoa acidentada dizia que tentava se comunicar com os demais dizendo que estava tudo em ordem com o seu corpo porem sem sucesso, o que levava a pensar que estava sendo ignorada propositalmente por parte das outras pessoas.

Em alguns relatos o paciente conta que vê e escuta, do lado de fora, as “gracinhas” que alguns médicos fazem com o corpo do paciente enquanto ele está em coma, sabe aquelas piadinhas sem graça? Ou então é testemunhado médicos dando em cima de enfermeiras enquanto o corpo aparentemente está “desligado” em alguma parte do hospital.

A maioria das pessoas que passaram pela experiência da quase morte dizem que por mais que o acidente seja dramático com fratura exposta e tudo mais, nesse modo de existência a dor física do corpo não é sentida, a pessoa se sente muitas vezes mais leve, como se não existisse gravidade, algumas pessoas se sentem sendo o próprio ar de tão leves e fluídas que ficam nesse estado, tendo um sofrimento atroz ao “regressarem” ao corpo danificado que haviam abandonado.

Embora muitas pessoas citem a passagem pelo famoso túnel de luz quando passam por essa fase, essa etapa não deve ser tida como um padrão imutável, têm pessoas que passam por EQMs e não passam por nenhum túnel de luz, tem outras que vão boiando rumo ao espaço a ponto de verem lá de cima as características geográficos dos países como se estivesse num avião ou usando o
Google Maps, outras pessoas dizem que são sugadas para um buraco no chão, enfim, cada pessoa pode ir para locais diferentes depois de um certo tempo que fica aqui nesse estado aparentemente “fora do corpo”, depois ou voltam pro corpo ou vão para mundos lúdicos diferentes de formas também diferentes, porem essa estadia também não é um padrão, têm pessoas que mesmo vendo o seu corpo do lado de fora não vão para mundo secundário algum, depois são “puxadas” violentamente para o seu corpo quando, por exemplo, alguém lhes aplica um choque de um desfibrilador no peito.

Muitas pessoas que sofreram acidente ou tiveram uma grave enfermidade, dizem que no estado de deslocamento do corpo, o apego ao mundo diminui bastante, exceto em relação a parentes dependentes, mesmo assim não é uma regra para todos os casos, muitas pessoas inclusive pedem para não voltarem, outras voltam e ficam depressivas. Algumas dizem que nesse modo parece não existir muitas dúvidas, tudo é sentido que já se era sabido, muitas vezes não existe necessidade de questionamentos, como se fosse tudo aqui um sonho ruim e lá a realidade, como se fossemos bonecas matryoshkas: dentro do meu corpo tem outro, que tem outro de outra realidade, que tem mais outros de outras realidades e assim por diante. No outro modo de existência, a única punição que parece existir é a nossa culpa, quanto mais culpado você se sente, mais arrependido e com mais vontade de passar as mesmas coisas que você fez os outros passarem, você sente.

Diante de tudo isso devemos nos perguntar: A vida é uma brincadeira? Uma ilusão? Um desperdício com os nossos sentidos? Devemos levar a vida a sério ou não? Os loucos que não levam a vida a sério estão certos? Ou será que não existe vida verdadeira, nem aqui nem no outro modo, somente vamos saindo de uma ilusão para ir para outra e mais outra e mais outra igual à boneca matryoshka?
A vida é uma fazenda onde alienígenas ou outras inteligências travestidas de seres bonzinhos e religiosos nos enganam o tempo todo para nos consumirem de alguma forma?
Ou tudo isso é um grande simulador tipo uma máquina virtual como VirtualBox ou Vmware para testes de uma civilização mais avançada que nos usa como cobaia? Afinal, se a nossa mente não depende teoricamente da vida do corpo, pra que serviria a vida filosoficamente falando então?

Somos frutos de uma tecnologia muito mais avançada do que imaginamos, assim como os outros animais que manipulamos não fazem ideia disso? Sim, afinal se existe realmente a possibilidade de existirmos em dois tipos de modos distintos e quando o nosso corpo não têm avarias não conseguimos transitar entre os dois, é sinal que existe um modo de prenderem o que somos a um determinado jogo eletrobioquímico que chamamos de carne e corpo, não temos então liberdade total e podemos ser aprisionados como softwares em CDs? Eu posso entender isso como uma prisão, afinal de contas, pelos relatos, é aprendido que é muito mais poderosa, vívida e prazerosa(existe exceções) a nossa existência fora do nosso sistema biológico do que dentro dele, nem por isso conseguimos sair dele arbitrariamente para nos divertirmos assim como quem decide ir comer um lanche. É comum pessoas que passaram por essas experiências dizerem que existe autoridades no outro modo que não nos deixa irmos até onde bem quisermos para depois voltarmos, ou seja, por mais exótica e duvidosa que seja a experiência, existe uma ordem, um controle, que não dos permite transitar plenamente entre os dois modos, assim como quem está no sistema prisional não pode ir ao mundo livre quando bem entende.

As experiências de quase morte são interessantes não pelas interpretações esdrúxulas que normalmente os seus pacientes têm mais sim pelos fatos que eles relatam sobre as transgressões às leis conhecidas da física ao transitarem de um corpo para um aparente nada e mesmo assim mantendo as suas propriedades intelectuais ativas.

O tema experiências de quase morte é muito interessante por se poder ser pesquisado sem necessitar o seu envolvimento com liturgias que induzem ao erro, o problema é que as pessoas que passam por tais experiências geralmente são muito sensíveis às opiniões dos outros e não se dão muito bem com o pensamento crítico, evitando assim exporem as suas experiências para evitarem rotulações e brigas, o que é lamentável, afinal faça o que você fazer, nunca você terá o agrado ou o desagrado de 100% das pessoas, viver buscando isso sempre é uma acarretará num desgaste inútil permanente de energia.

Add a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *